sábado, 25 de dezembro de 2010

let it go

um dos consensos populares em torno de fins de relacionamentos é que voce precisa "seguir em frente", ou, em outras palavras, "deixar pra trás". mas ora - já nao a tenho mais, e agora preciso abrir mao das lembranças também? e sim, acho que sim. preciso me livrar de cada pedacinho dela, real e "virtual", digamos assim, preciso expurgar a lembrança dela da minha existência, preciso esquecer os últimos dois anos da minha vida, senão nao terei mais anos pela frente, apenas dias disconexos e vazios que se alternam entre um trabalho automático e um quarto relativamente grande pra mim, especialmente vedado contra a luz natural.

e as coisas dela na casa nao incomodam tanto assim. as roupas dela, os livros dela, nao é esse o problema. o problema é eu lembrar que ela existe, e que ela nao sente mais nada por mim. se eu nao soubesse disso, se pudesse ignorar esse fato, ser uma pessoa sozinha seria mais fácil. aliás, saber que ela terminou comigo por minha única e exclusiva incompetência como um bom namorado, isso tambem machuca muito - e que ela irá ter outros namorados muito melhores que eu e que lembrará de mim como um completo imbecil.

uma vez que eu sei que o erro foi meu, em grande parte, parece que fiquei preso nessa de querer consertar tudo, de querer tentar de novo e mostrar como AGORA as coisas vão dar certo; ora pitombas, mostrar pra quem? nao preciso mostrar isso pra ela. até porque nao dariam certo. um, dois meses, estaríamos como antes. acostumados. eu principalmente. estraguei tudo e estragaria de novo.

eu quero, sim, minha "segunda chance", mas não com ela. quero que na proxima vez em que eu entrar em um relacionamento assim eu possa fazer as coisas direito. o problema é que eu quero isso agora, já, e, como já foi exaustivamente dito aqui, essas coisas levam tempo. ninguem vai se apaixonar perdidamente por mim assim do nada.

entao vamos tentar. pq tudo nas últimas cinco semanas não passaram de tentativas. exorcize-a de si mesmo. nao pense nela, aceite que voce fez tudo errado e que ela está melhor sem voce, deixe que ela ria de voce (ela nao deve rir, mas sua cabeça doente insiste em achar que sim, então se ela rir, deixe que ela ria) e que viva os melhores momentos da vida dela sem voce. aceite. let it go.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

cade o arauto da preguiça?

QUE MERDA ACONTECE COMIGO QUE EU NAO CONSIGO MAIS DORMIR ATÉ TARDE? HEIN? HEIN???

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

registro da demora

e então, quando voce acha que agora vai, que está progredindo, voce lembra de algum detalhe - ou talvez esse detalhe lembre de você e grude em voce como um sanguessuga desesperado - e já era, dê adeus a seu dia.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

datas comemorativas

eu nunca de a minima pra esse tipo de coisa.

mas agora, os dias passam todos apenas para que chegue logo o natal e eu tenha um pretexto pra mandar um email ou uma mensagem de celular pr'A Big, e então esperar pela resposta apressada dela. por que, meu deus, por que?

eu nao preciso dela especificamente. mas estou tao carente, tão carente, que até o desinteresse velado que ela me envia acaba sendo a melhor coisa do dia. a dor da derrota machuca, mas a ausência de todas as coisas se equipara em sofrimento. e fico eu aqui, entre manter minha dignidade e aplacar minha solidão, nao sabendo se realmente há algum sentido no embate entre as duas coisas. mas o preço por receber algumas linhas na caixa de entrada do email é mto alto. nao vai mudar nada. tenha disciplina.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

exercicios físicos - ou a continuidade da disciplina

sou contra essas frases do tipo "minuto de sabedoria", mas como nao tenho muito mais que alguns minutos, - pois preciso tomar banho, comer e dormir - aí segue o insight diário:

mais dificil que terminar as 3 séries dos exercícios de hoje é começar a primeira série de amanhã.

domingo, 19 de dezembro de 2010

a companhia do solitário - musica e filmes

já que eu nao consigo ler nem jogar e nem parar de pensar nela, fui forçado a baixar meus filmes favoritos pra gastar meu domingo. baixei closer, mas nao tive coragem de assistir. enquanto testava a legenda, já comecei a chorar. baixei brilho eterno, mas também nao aguentei 5 minutos. entao decidi baixar rocky, do I ao VI, e me lançar de corpo inteiro no sentimento de incentivo torrencial que esses filmes oferecem. sempre que o rocky cai e se levanta, algo em mim se envergonha e tenta seguir o exemplo. apesar de serem situações completamente diferentes, a temática é a mesma: nao desista, voce nao é um perdedor, vá em frente. e agora, após assistir o primeiro filme, já consegui até comer. posso ter sido o perdedor no meu relacionamento com A Big - e isso nao vai mudar, está bem estabelecido que eu perdi, e, conforme sabiamente pregava o Abba, "the winner takes it all, the loser has to fall". pois bem. Abba me ensinou como se cai, e faz parte do processo cair de uma certa maneira. agora, rocky tem que me ensinar a me reerguer, e deus me ajude, pois nao sei se consigo. mas eu quero tentar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

ja que ninguem le este blog

vou postar frases que eu achei por aí que me agradam:

"Blues ain't nothing but a good man feeling bad, thinking 'bout a woman he once had"

patologicamente deprimido

eu nao acho isso bonito. mas devo estar.

ontem minha chefe do trabalho, sem o menor aviso, me abraçou, dizendo pra eu nao ficar assim, pra nao fazer isso comigo mesmo, pois as coisas passam e melhoram. minha chefe. eu congelei, travei, como assim minha chefe tá aqui me consolando? de qualquer forma, apesar da boa intenção, ela nada mais fez do que todas as pessoas estão fazendo agora. pq, quando estamos tristes, legitimamente tristes como eu estou agora, há duas reações que as pessoas ao redor costumam ter: primeira, tentar nos animar com palavras de incentivo, mantendo um ânimo alegre quando perto de nós, como que para nos contaminar com aquela alegria. segunda, nos reprimir dizendo que é exagero, que há coisas piores, que já tá mais que na hora de sair dessa condição.

meu amigo, estar triste não é algo que dependa de como eu me porto diante da tristeza. em geral, não se gosta de estar triste. não estou triste por incompetência da minha força de vontade. simplesmente estou triste e não posso evitar, pois estou triste de uma maneira tal que qualquer pequena manifestação de felicidade externa me dá ânsia, e se eu involuntariamente esboço um sorriso em resposta a algo cômico ou semelhante que tenha acontecido, no segundo seguinte me sinto culpado por ter tido aquela sensação, como se eu não estivesse na posição de ter qualquer tipo de alegria, e que rir de qualquer coisa é a ironia maior - pois todas as coisas estão rindo de mim, minha cama está rindo de mim, minha roupa está rindo de mim, meu violão está rindo de mim. só não riem de mim o álcool e o cigarro, pois estes são claros em seus contratos: nós te anestesiamos, mas tiraremos duas coisas - o bem estar do dia seguinte e alguns anos de vida, no futuro.

eu pensava, secretamente, que o que as pessoas podiam fazer para me ajudar nesse momento era simplesmente ficar comigo, quietas, fazendo companhia. não tentando me distrair com nada, não conversando quando eu não não quisesse conversar, simplesmente estando ali, e me fazendo cafuné. mas isso exige muito de quem quer que seja, e não tenho amigas do sexo feminino dispostas a fazer isso por mim. meu melhor amigo, o poeta famoso do futuro, se ofereceu para vir aqui, e sinceramente? eu nao quero, quero ficar sozinho, nao quero olhar pra ele e ter vergonha, pois ele saberá, só de me encarar, tudo que aconteceu, e será inevitável que sinta pena. então, essa última opção, que era me isolar do mundo completamente na esperança de que alguém se lembrasse de mim e viesse com a mão estendida em auxílio de salvação, como um anjo silencioso, bem, era somente uma daquelas esperanças fátuas que funcionam muito bem na sua imaginação.

e logo eu, que era relativamente popular nos meus tempos áureos, que tinha amigos e conhecidos para todos os lados e nunca estava sozinho... há de se convir que eu era uma boa companhia. nunca fui o rei da festa, mas tenho convicção que metade daquele IEL já tinha ouvido falar no rapaz que andava de chinelo e usava fones de ouvido gigantes. em festas, eu era convidado, reconhecido, integrado e feliz. porque? porque oferecia algo bastante conveniente, vocês me davam o calor de vossa companhia festiva, e eu lhes devolvia a mesma coisa. agora, meus caros companheiros, percebendo que estou triste (vou repetir a palavra incessantemente, afinal, é ela mesmo), oferecem sim a mesma companhia festiva, mas eu não respondo a ela, e devagarzinho eles desistem. porque pra ajudar alguem que está na merda, voce tem que abrir mao da sua felicidade momentanea e se jogar na merda com ele, passar pela merda junto com ele, por um tempo indeterminado. e isso é chato, é ruim, é difícil, e eu nao culpo ninguem por nao percebe-lo nem tomar a iniciativa, pois eu só percebo isso agora.

para encerrar o post das 8 da manha de um sábado (agora acordo cedo e nao consigo mais dormir, como se nao bastassem as horas regulares de quem era muito dorminhoco), ontem eu criei vergonha na cara e fui falar com a ruivinha dos correios. sim, ela é uma nova personagem, foram mais de dois anos sem postar e nao pense que nada aconteceu nesses ultimos dois anos, apesar dos meus esforços em ressaltar somente A Big. a ruivinha nada mais é que a mulher mais linda que eu já vi. desbancou todas as outras. mas eu nao sei absolutamente nada dela, nunca tive oportunidade de conversar por muito tempo com ela. ela tem um sotaque esquisito, nao sei identificar de onde. ontem, eu fui la no balcão dos correios, olhei nos olhos dela e falei que ela já devia ter percebido que eu passo o dia inteiro olhando pra ela, e que eu precisava tentar uma aproximação, e que portanto aqui estava meu telefone e meu email (é meu novo método, hit and run, leave the email). ridículo. diferente da mocinha do aeroporto, com quem eu nao me importava e a quem eu nunca mais veria, a ruivinha (obvio que ela nao me mandou nenhum email) vai estar sempre lá para me lembrar de que meus esforços titânicos de abordagem são patéticos e falhos, que toda a coragem que eu tive que agrupar não serviu de nada, que ela deve ter namorado e ser muito contente (apesar de que seu olhos sao tristes, do jeito que eu gosto), e que eu sou sozinho. a única coisa que me agradou nessa historia toda foi que eu fiquei, por uns 30 minutos, nervoso, e isso me tirou da tristeza - por 30 minutos.

também decidi, e espero me manter firme na minha resolução, nao mandar mais emails pr'A Big. não sei se já falei isso aqui no blog, mas nao bastasse ela nao me amar mais e ter (vou suprmir essa parte, pois se um dia ela ler, do jeito que ela é histérica, vai ficar com raiva, e eu nao quero ter o trabalho de mandar ela praquele canto), ela nao demonstra um pingo de preocupação comigo. essa sensação de que ela está muito mais preocupada com seus afazeres diários e com sua nova fantástica paixão do que comigo é aquela gota que faz você nao aguentar mais. eu podia estar no hospital agora que ela iria mandar uma amiga qualquer entregar um recado qualquer de duas linhas, com algo como "melhoras!". e se ela tiver ainda o mínimo de memória de mim, vai perceber que ontem eu nao mandei email algum pra ela, e vai pensar "puxa, que bom, ele está me superando. vou ajudar ficando longe e nao mandando emails também". errado, Big, resposta errada. e talvez ela nem perceba.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

eu quero uma mulher pra testemunhar minha desgraça

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

enviar mensagem sem assunto?

eu me HUMILHO nos emails que escrevo pr' A Big. mas eu me arrasto no chao mesmo, me exponho nas minhas maiores fraquezas e medos, abro o peito e mostro o cancer nojento que está se nutrindo lá completamente alheio a minha vontade mais imediata. de nada vale mentir aqui - eu adoro conversar pela porcaria da internet. evito o msn sempre que posso porque muitas vezes ele me dá uma satisfação falsa de companhia que, após alguns instantes, acaba por se revelar completamente imbecil - um monte de letras que alguem escreveu enquanto escuta musica, escova os dentes e lê qualquer coisa de inútil em sites aleatórios. isso me repulsa. a facilidade da comunicação escrita, não em termos de expressão acurada do que pensamos querer dizer, mas sim em termos de simplesmente dizermos algo que não diríamos cara a cara com o interlocutor, é uma das coisas que mais me dá nos nervos. eu nao quero essa pseudo-realidade de sinceridade escancarada que só se manifesta atrás da segurança de uma tela enorme e excessivamente luminosa. eu quero poder falar e perceber a reação da pessoa, e reagir ao que ela tem a dizer de forma imediata e sincera.

o problema é que quando a gente está na presença das pessoas, nao temos mais a desenvoltura despudorada de quando estamos sozinhos. alguma parte de nós começa a nos policiar de imediato, e nos censurar, e medir cada gesto, sempre em função do que a outra pessoa vai pensar de nós. uma vez li o dale carnegie (a única auto-ajuda que eu respeito) dizendo que enquanto nós estamos desmesuradamente preocupados com o que os outros vão pensar da gente, a realidade é que a grande maioria das pessoas nao pensam muita coisa da gente, pois a principal preocupação delas é saber o que nós pensamos delas. e aí ficam todos na defensiva, esgrimando socialmente. levando (agora eu mesmo) o raciocinio um pouco mais adiante, a minha experiência me diz que eu quase nunca percebo essa preocupação das pessoas em relação ao que o insignificante eu irá pensar delas. elas disfarçam bem. será entao que aos olhos delas eu também estou relaxado e bastante à vontade? tomara!

de um jeito ou de outro, o fato é que A Big me responde sempre laconicamente, com pressa, e em geral me reprime pelo tom depressivo e exagerado dos emails. ela tem razão. eu estou deprimido e exagerando tudo. o medo, meu amigo, o medo é a enzima mais poderosa da imaginação.

e quanto a viagem para fortaleza, bom, foi ótima,me fez bastante bem. adorei. fui a praia com a lilith e sua fiel escudeira e, por um lindo dia, nao pensei necas n'A Big. a lilith sempre excercerá seu poder e fascínio sobre mim - não é a toa que a apelidei assim, em tão alto escalão infernal. A Big, maldita, irá sumir e virar pó com o tempo - ao menos minhas esperanças assim prometem - e como no momento ela só me faz mal, muito mal, presente ou ausente, eu nao vejo a hora de que isso aconteça, de que eu simplesmente a ponha no rol de pessoas indiferentes e desinteressantes. mas nao a lilith. nao seria verdade se eu dissesse que ela me faz bem, porque nao é bem isso que a presença dela me provoca; aliás, meu grande mote poético para a lilith é que eu nao a compreendo nem um pouco, que é inútil a tentativa de sondá-la, doravante quando a evoco não sinto nada que já tenha sentido antes. a melhor maneira de descrever a lilith é por negação - ela não **ponha qualquer coisa aqui**.

e pobre da paquerinha, só aparece no post como a terceira personagem, ela que tão bem me recepcionou, que de braços abertos e cheios de compaixão me acolheu, e que acreditou e confiou em mim. eu quero ser digno dessas coisas boas que ela transmite. eu quero ser o homem com quem ela queira tomar capuccino pra sempre. talvez eu queira a oportunidade de amá-la de verdade. se até A Big, pessoa completamente diferente de mim (qual mim? o que a conheceu) e repleta de defeitos que eu não suporto, foi capaz de me provocar amor com o auxílio do tempo, o que impede que o mesmo aconteça com a paquerinha? talvez eu aposte minhas fichas aí... meu fevereiro terá 30 dias, chapa. ah... mas ainda são poucos dias pra um fevereiro...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

i can't get no satisfaction

cause i try and i try and i try and i try

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

this is the time of our lives

esse post é fruto de um delete cruel em outro post que já ia pela metade, mas me agradou nem um pouco. é que nele eu estava excessivamente preocupado em descrever o que aconteceu hoje e menos atento em pôr minha impressão sobre essas coisas. ora, o que aconteceu de fato, seja lá o que isso significar, se não se pode negar que até certa instância tem lá sua relevância, é tênue e incerto demais para se tornar o centro das atenções. a minha interpretação desses acontecimentos, ahá, isso sim eu quero manter e registrar.

entao, para nao perder tempo contextualizando demasiadamente o caso, vou dispor aqui que viajei para fortaleza mais ou menos da maneira como justifiquei para minha chefe no trabalho - de maneira bastante sincera, aliás: precisei, por motivos particulares *vide ultimo post* fazer uma viagem de ultima hora a fortaleza. ora, meu amigo, quando voce passa as 4 primeiras horas de um feriado, após acordar, prostrado na sua cama, se assegurando que nenhuma fresta de luz penetre no seu recinto, e está bastante convicto de que ficaria assim o dia inteiro, viajar é bastante justificável.

e, ao chegar, aqui, providenciei encontrar-me com a - vamos lá, mais um pseudonimo que nao vai me agradar - paquerinha. e foi simplesmente ótimo. em um certo momento do nosso encontro eu deixei claro que adoraria ficar com ela, ao que ela me respondeu, do alto de sua dignidade, que não queria ser a estepe de ninguem. e eu compreendi perfeitamente, e senti o que ela sentiu, e fiquei feliz. e talvez por isso tenhamos ficados horas abraçadinhos, trocando carinhos bastante intimos, sem nos beijarmos. e isso, meu amigo, faz voce querer amar uma garota.

se nao fosse a distancia geografica, eu certamente iria querer namorar com ela. e apesar de eu ja ter aprontado das minhas meninuras pra cima dela anteriormente, algo em mim me faz acreditar que dessa vez seria diferente. nao consigo imaginar se poderíamos nos amar de verdade; mas como saberíamos, senão nos dando a chance?

um dos outros dois pontos que merecem menção dizem respeito a viagem em si. puxa, largar na caruda o trabalho por dois dias e gastar um dinheiro pesado pra passar quatro dias na casa dos meus pais... isso é algo que eu nao imaginei que realmente faria - principalmente porque em fevereiro estarei aqui de volta, de férias. e, ainda que eu seja rigoroso com o quesito "razões particulares", em especial quanto o critério será avaliado em meu benefício, verificando de volta as circunstâncias que provocaram minha decisão arrebatada, não tenho idéia de em que estado de espírito eu estaria se tivesse permanecido em campinas.

o segundo remete a uma ousadia que, sendo bastante pequena e tímida, é algo que eu nao fazia ha muito tempo. no aeroporto, enquanto aguardava taciturno pelo meu voo, na praça de alimentação, uma garota deslumbrante sentou-se a duas mesas de distancia e deu início a sua refeição pré-voo. em um determinado momento, levantei-me em direção a uma das lanchonetes, pedi uma caneta e um guardanapo, anotei meu email, dirigi-me à garota e, com uma cantada baratíssima, deixei em suas mãos a expectativa de ser contactado.

naturalmente que até agora nao tem nenhum email dela na minha caixa de entrada. mas por ter feito a coisa, por si só, eu me senti um verdadeiro herói de mim mesmo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

back in the saddle

cem mil leitores que visitam este blog,
estou postando pela primeira vez após mais de dois anos e meio. meu deus! quando a necessidade imperou de modo tal que eu fui forçado a tirar a poeira do blog e desabafar aqui para os mins que nascerão amanhã, nao lembrava que havia passado tanto tempo assim. a ultima postagem data de março de 2008, e tanta coisa aconteceu de lá pra cá, sendo somente uma delas relevante, sobre a qual irei tratar aqui, que eu estou convencido de que realmente nada daquilo foi vivido por mim, e sim por outra pessoa que deixou aos poucos de existir, para que o atual eu emergisse. por sua vez, é uma questão de tempo até que lentamente eu vá perdendo as minhas características atuais, até que finalmente esteja tão irreconhecível por mim mesmo que possa me considerar verdadeiramente outra pessoa. por fim, é uma questão de um tempo um pouco maior até que parem de brotar esses novos eus, e tudo se acabe.

e qual foi a única coisa relevante que aconteceu nesse entretempo? ai, estou eu usando do artifício mais ingênuo da oratória, que é retomar o gancho sutilmente disposto no parágrafo anterior em forma de pergunta, e continuar o desenvolvimento do texto a partir daí. pois bem, vamos responder, então - o problema é que, nesse momento no qual escrevo, ainda não sei como chamá-la aqui no blog. claro que é uma mulher - na vida dos homens mundanos e comuns, e suspeito que também nas dos influentes e poderosos, as únicas coisas relevantes estão ligadas ao amor. no meu caso, como eu acabei caindo no lado hétero do mundo, nada mais natural que minha vida tenha sofrido uma reviravolta nos ultimos 30 meses (!) em função de uma mulher.

sempre tento evitar nomes, ainda que quem me conhece saberá facilmente distinguir quem são a fada dourada, a lilith, a succubus, a imperatriz sorridente, o anjo da tequila, a "júlia"... talvez elas, se ocasiosalmente tiverem passado por esse blog, tenham se reconhecido. pausa para adendo: eu me impressiono, hoje, por ter criado esses pseudonimos tão espertinhos, que fazem na maioria das vezes uma piada fonética ou ressaltam uma característica fundamental das memórias que elas imprimiram em mim, quando não as duas coisas. e me impressiona mais que eu não consiga criar agora um pseudônimo para ela. mas tenho que criá-lo, ou esse post morrerá aqui.

então, do parágrafo anterior para o atual, devem ter se passado uns bons 30 minutos: o que para você foi apenas um lance de olhos instantâneo foi, na perspectiva deste que lhe escreve, um período de criação de personagem de inestimável importância. então, ainda que o que eu consegui bolar esteja infinitamente distante da sagacidade que se gastou inteira durante as anteriores, para que eu me lembre de que uma das coisas que mais fazíamos juntos era assistir a seriados imbecis, vou chamá-la de Sra. Big. e sim, eu estou citando (deus me proteja!) sex and the city. Lamentavelmente, por mais que a carrie termine a série junto com o Mr. Big, a história que se passou entre mim e A Big terminou há 3 semanas atrás.

mas vamos fazer o flasback... pra que contar o final assim, se não houver o começo? eu me recordo de que em meados de março de 2008 eu já havia a conhecido, mas ela não tinha a menor importância na minha vida. eu estava envolvido com o anjo da tequila, e não queria outra coisa da vida: a regularidade das sextas feiras e o fascinante mundo das pessoas adultas e independentes era mais do que eu poderia querer. eu estava bastante satisfeito. mas aos poucos A Big foi se insinuando no meu dia a dia, e fomos ficando um pouco mais próximos e mais amigos, até que eu e ela demos nosso primeiro beijo um mês antes do meu aniversário, no velho matadouro universal conhecido como cinema, numa sugestão de "quer chiclete? morde metade do meu chiclete aqui, ó". ai, como é complicado escrever sobre isso agora. eu era um cafajeste sem precendentes, e encarei aquilo como nada mais do que era na época: uma oportunidade.

não sei o que ela fez. talvez nao tenha feito nada específico. as coisas estão bem menos sob nosso controle ou sob controle alheio do que supomos, e o que atribuimos muitas vezes a nossas ações e nossos méritos ou a ações e méritos alheios são mero acaso. ou talvez, para quem não gosta do termo "acaso" (eu nao gosto), são resultado de uma complexa rede de conjunturas, interesses e pequenas decisões que, somadas, fogem da nossa capacidade de compreensão ou manipulação. as coisas acontecem, e nós estamos ali. não que não tenhamos nenhuma responsabilidade sobre elas; temos, e é enorme. mas elas ultrapassam nossas expectativas iniciais, subvertem nossas intenções, transformam nosso âmago. e assim, de por vias insondáveis, eu me apaixonei por ela. não foi rápido assim. A Big teve que sofrer uns bons meses na minha mão até que eu percebesse que eu me importava com ela de uma maneira esquisita, e decidisse abandonar a vida que levava até então para me dedicar somente a ela. e, pelas razões já anteriormente expostas, acabamos, depois de mais ou menos um ano de namoro, indo residir sob o mesmo teto.

eu mudei completamente. o fogo de leitura, escrita e farra mirrou até não existir mais. minhas ambições foram cuidadosamente lacradas num lugar inacessível, e eu as perdi para sempre - agora, só recriando tudo do zero, do chão, com muito esmero e paciência. minha convivência social foi expurgada, e eu afastei meus amigos sem notar, da maneira mais vergonhosa que vocês puderem imaginar - a sutil, a lenta, a gradual, aquela que se justifica por não se fazer notar. tudo era ela, minha vida foi reconstruída em torno dA Big, e eu era genuinamente feliz.

talvez em outros posts eu descreva um ou outro momento específico que passamos juntos, ou talvez eu enterre esse assunto nesse post para nunca mais voltar, não sei ao certo. mas aqui, que já está gigante, não é o lugar para destacar os auges de nosso relacionamento. até porque isso machuca. muito. eu mal consegui vir até aqui.

infelizmente, a vida marital tem seus contras. eu devo admitir que me acomodei bastante. criamos uma rotina e nos apegamos e ela, deixamo-la deslustrar aos poucos, deixamos isso virar normal. mas eu ainda a amava. eu era feliz com o que tínhamos, até porque eu não tinha mais nada. talvez tenha sido esse o erro crucial. não dá pra saber - já expliquei que acredito que não é uma ou outra coisa que define o destino das pessoas, e sim uma série infinita de fatores. ela acordou um dia e não gostava mais de mim. pior: gostava de outro.

eu nao quero mentir aqui - afinal, só tenho cem mil leitores futuros. eu pensei muitas vezes em terminar com ela por razões diversas, mas nenhuma delas era forte o suficiente que me fizesse levar a idéia adiante, e a felicidade que eu sentia nos momentos íntimos compensava toda a estranha inquietude que me acometia quando eu estava sem ela. porque alguma coisa dentro de mim ainda lembrava meus hábitos antigos - uma necessidade de beber um pouco, de fumar um pouco, de ser cara de pau e paquerar aleatoriamente, de ver coisas novas, de implorar pelo inesperado. devo ter usado o termo antes no blog - aquela vontade de que tudo seja extraordinário o tempo todo. ela não era assim. ela estava longe de ser a mulher ideal, minha julia pessoal, mas eu a amava! talvez eu não queira dizer, mas eu a amo ainda. sim, eu a amo. e se é verdade que essa contradição se manifestava com uma certa frequência, também é verdade que ela sempre era aplacada depois, nos braços dela.

por mais que eu tenha admitido ali acima que eu a amo, eu nao quero que ela volte. afinal, 1-) isso não vai acontecer, e querer isso é dar murro em ponta de faca, e 2-) mesmo que ela voltasse não seria a mesma coisa nunca mais. eu queria, sim, que o tempo voltasse, que eu passasse por tudo isso de novo. mas isso cai novamente na razão 1, ou seja, é impossível.

e eu devo encerrar esse post dizendo que, agora que acabamos, não aconteceu o que eu esperava. minha ânsia por liberdade não foi satisfeita. ainda me sinto prisioneiro dela, só que agora ela não vigia mais a cela: jogou a chave fora e foi embora. eu era feliz. nao sei o que acontece agora. minha necessidade de que tudo seja fantástico não está me incomodando, pois a ausência dela preencheu por completo a câmara das inquietudes diárias. tudo que eu havia perdido - meu fogo, meus amigos, minha vida inteira - não voltou quando ela desapareceu. tentei acender isso nas ultimas semanas, incentivei velhas práticas, mas foi inútil, nada serviu. e agora eu só consigo ficar sozinho, chorando, ouvindo radiohead (ok, outra pausa, eu odeio radiohead, e de repente, após o término, é uma das poucas coisas que eu consigo tolerar), porque isso é a coisa mais digna que eu posso fazer enquanto nesse exato momento ela está com ele, transando com ele, provavelmente, abraçada com ele, e eu estou gripado e insone.

lembro da cena de closer, um dos filmes que me fizeram chorar na minha adolescencia, na qual o ator que não é o jude law descobre que a julia roberts está transando com o jude law. ele pergunta os detalhes do sexo para ela, agressivamente, berrando e quase a agredindo, partindo do princípio sem o menor fundamento de que naturalmente o sexo do jude law é melhor, que o pau dele é maior, que o cheiro dele é mais gostoso, que ela berrou mais, etc. eu me sinto como ele. mas não tenho energia ou aquele caráter pra fazer esse tipo de coisa.

eu percebi também que a coisa que eu mais quero agora, que eu mais preciso, é de outra namorada urgentemente. não de outra mulher qualquer, não de sexo - ajudaria um pouco, mas eu nao sei mais paquerar, nao sei mais como isso começa, e nao tenho mais grupo social que me permita qualquer tipo de apoximação -, mas sim de uma namorada que dormisse todos os dias na mesma cama que eu, e que abraçasse minha cabeça quase maternalmente, mas com aquela diferença fundamental que as distingue de nossas mães, que compartilhasse cada segundo do seu dia comigo, não presente o tempo todo, mas pensando o tempo todo em mim. e claro que isso não vai aparecer tão cedo, não agora, justamente porque eu preciso disso; o universo tem a mania de aguardar o momento certo de nos dar as coisas, e parece-me que esse momento é quando nós não estamos mais esperando por elas, quando estamos distraídos delas, ainda que ainda a queiramos. e agora eu tenho que sofrer bastante, pela primeira vez na vida é imperante que eu atravesse sozinho esse tipo de sofrimento, o tempo que for necessário. sem finalidade alguma, imagino, mas as coisas simplesmente não podem ser de maneira diferente. ou é isso ou eu morro, e morrer definitivamente não é uma opção, eu gosto de viver, mesmo que seja na merda. me pergunto quanto tempo esse merda vai levar pra curar. até agora nao melhorou em NADA. talvez postar, marcando a data, me ajude a fazer os cálculos depois, bem depois, e achar essa resposta, quando ela não importar mais.

ia terminar assim, com esse deprê finale, mas eu estou revendo a cena do clive owen (esse é o nome dele, bendita wikipedia) com a julia roberts, e vou postar aqui as frases que eu gostaria de dizer pra ela, que ela nunca vai ler:

1
-why did tou tell me you wanted to have children?
-because i did
-and now you want to have children with him?
-yes.

2
-i dont give a fuck about the spoils!

3
-did you ever love me?
-yes.
*he cries on her shouder just as i did*