ultimamente eu só posto por aqui quanto estou de mau humor. ou triste. ou com uma pedra qualquer no calcanhar. se esse é meu legado aos cem mil leitores futuros, parecerei ter tido uma existência muito infeliz. não é o caso. meu cotidiano é agradável. plácido e molenga, mas agradável. talvez eu mudasse a circunstância insistente de estar sempre sem tempo e sempre cansado. dificilmente paro. quando aparece uma nesga de tempo livre, uso-o não para descansar, mas para jogar um pouco de videogame, pois eu gosto de jogar e isso não é crime. negligenciei quase toda outra atividade solitária que me apetece, não porque apenas jogo, mas porque o tempo é tão curto que, quando há, jogo.
auto-condescendência? talvez.
infelizmente no ultimo mês minha esposa teve uma apendicite gravíssima e quase morreu. não é exagero, o apêndice supurou e espalhou pus por toda a cavidade abdominal. quase morro junto. coitada, passou bastante dor, encarou um erro médico que quase lhe custou a vida e depois, na recuperação da cirurgia, teve que aguentar uma equipe de enfermagem bem ruinzinha.
nunca estamos preparados para a morte. não quero adentrar na filosofia da existência, mas é curioso como evitamos essa questão. não há outra maneira de viver.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
mau jeito de começar a quarta
eu nunca fui afeito a manutenção das coisas. lavar a louça, pintar a casa, lavar o banheiro: sempre desgostei desse tipo de atividade. minha memória me falha muito, mas eu lembro que, quando eu morava em repúblicas, a gente tentava revezar as tarefas entre nós, e a coisa era mais ou menos harmônica. na primeira república tinha a lívia, que botava certa ordem na casa, e o pessoal não era tão bagunçado, e a gente ainda cotizava uma diarista periódica. funcionava bem. a segunda era muito próxima de um chiqueiro, mas estava dentro dos padrões de aceptibilidade dos moradores. me envergonho um pouco desta. pensando bem, gostava muito dela. mas o ponto é: nunca esteve nos meus planos ter algo: morei de aluguel desde que vim para cá, as coisas sempre possuiram um caráter de provisórias. minhas roupas, certa época, eram em maior parte adquiridas em brechós, não havia uma blusa minha que custasse mais de cinco reais. e não duvide, elas eram limpinhas. quanto ao valor, minto. quando eu comprava algo de fora, geralmente havia uma razão específica, tal como uma estampa de uma banda ou de algo que eu gostava, mas se passasse de certo limite de preço, ficava na prateleira da loja. além disso, não posso omitir as blusas terríveis que minha mãe me dava, as vezes blusas polo, as vezes camisas mais justinhas, na vã esperança de que eu as usasse. então, realmente, havia blusas um pouco mais caras que cinco reais no meu guarda roupa, mas já fugi novamente do ponto.
o ponto é que agora eu tenho um apartamento e sou provavelmente menos feliz que quando eu não tinha. tem uma infiltração na minha parede que deve ter vindo do andar de cima. tem parcelas caríssimas que, por mais que eu tente me convencer que valem mais a título de investimento que mensalidades de aluguel, são mais caras que um aluguel. tem uma bancada de pedra que eu detesto, que deveria ser usada como mesa mas é usada como prateleira de louça e outros trecos que não queremos guardar. pois fui justamente nessa bancada que eu derrubei hoje, não-intencionalmente, algumas migalhas de pão e um pouquinho de pó de nescau. Tal acontecimento, na primeira ou na segunda república, seria de menor importância, como de fato é na hierarquia de coisas importantes dentro da minha cabeça. mas para minha esposa, que está de mau-humor desde segunda feira, após uma semana anterior de muita paciência e carinho (mudanças de humor repentinas, e não está nem perto de ela menstruar), isso é razão para me desmerecer, me aporrinhar, me chamar de bagunçado, de que não liga pras coisas, de desligado, de você-é-incapaz-de-viver-sozinho.
ela não fala nada dessas coisas. não explicitamente. mas ela fica de péssimo humor, e é isso que ela pensa, suponho eu, e se não for, é isso que eu penso que ela pensa, e isso já basta. essa coisa de casamento é difícil demais, e eu nunca quis ter um apartamento.
o ponto é que agora eu tenho um apartamento e sou provavelmente menos feliz que quando eu não tinha. tem uma infiltração na minha parede que deve ter vindo do andar de cima. tem parcelas caríssimas que, por mais que eu tente me convencer que valem mais a título de investimento que mensalidades de aluguel, são mais caras que um aluguel. tem uma bancada de pedra que eu detesto, que deveria ser usada como mesa mas é usada como prateleira de louça e outros trecos que não queremos guardar. pois fui justamente nessa bancada que eu derrubei hoje, não-intencionalmente, algumas migalhas de pão e um pouquinho de pó de nescau. Tal acontecimento, na primeira ou na segunda república, seria de menor importância, como de fato é na hierarquia de coisas importantes dentro da minha cabeça. mas para minha esposa, que está de mau-humor desde segunda feira, após uma semana anterior de muita paciência e carinho (mudanças de humor repentinas, e não está nem perto de ela menstruar), isso é razão para me desmerecer, me aporrinhar, me chamar de bagunçado, de que não liga pras coisas, de desligado, de você-é-incapaz-de-viver-sozinho.
ela não fala nada dessas coisas. não explicitamente. mas ela fica de péssimo humor, e é isso que ela pensa, suponho eu, e se não for, é isso que eu penso que ela pensa, e isso já basta. essa coisa de casamento é difícil demais, e eu nunca quis ter um apartamento.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
hoje é mô aniversáááário
e eu nao quero olhar meu email porque talvez lá tenha uma série de congratulações de gente que eu nem lembro mais e talvez não tenha nenhum alô das pessoas que importam.
alem disso, eu e minha esposa estamos brigando muito, o relacionamento está por um fio, parte de mim é um mantegão que não sabe viver sem as pequenas coisas do dia a dia dela e a outra parte tá cansada demais.
então, a título de registro, para que não se olvide e desmanche nas leituras do futuro o que agora é óbvio, escrevo do trabalho, rapidamente, sem tempo, sem tempo.
alem disso, eu e minha esposa estamos brigando muito, o relacionamento está por um fio, parte de mim é um mantegão que não sabe viver sem as pequenas coisas do dia a dia dela e a outra parte tá cansada demais.
então, a título de registro, para que não se olvide e desmanche nas leituras do futuro o que agora é óbvio, escrevo do trabalho, rapidamente, sem tempo, sem tempo.
sábado, 9 de agosto de 2014
Olá, unessunos centomiláticos,
meia noite agora. a esposa está viajando em um trabalho de campo do cotuca e eu estou escrevendo porque quero adiar o momento de dormir.
é sempre assim. não quero que o tempo passe. chega fim de semana, nao quero que venha a segunda feira. e aí é uma porcaria, porque parece que eu estou avaliando a maneira como gasto cada minuto, o que frequentemente me rende mais infortúnios e preocupações que prazeres. se fico alguns minutos jogando dota (poisé, lembram do dota? voltei pra ele e nunca mais saí), depois penso como poderia ter melhor aproveitado este tempo; e se passo algum tempo equivalente fazendo outra coisa, matuto que poderia tê-lo dedicado ao dota.
gênio.
a verdade é que comecei a escrever por desencargo de consciência. pra não pegar poeira. pro google nao desativar o blog (isso nao acontece. né?). mas agora que comecei me fatiguei um bocado. tomei duas cervejas e nao estou alegre. vamos registrar o que importa:
1-) continuo casado. vida marital. há bibliografia.
2-) desisti do mestrado esse ano. mesmo que eu repita pras pessoas que não é nada, que era a melhor escolha, que eu nao tinha mais prazer nos meus estudos, a verdade é que eu nao sou mais um poeta. virei burgues. anote-se: nao li um único livro este ano. nao sei mais ler, assim como nao sei mais muita coisa que eu sabia. repito: sou um exímio burguês.
se eu nao escrever mais neste blog (uma hora a gente sempre volta), ou se eventualmente eu voltar em 5 anos e ainda estiver aburguesado, pançudo, com a pele gasta, opaco da alma, bem, se isso acontecer...
meia noite agora. a esposa está viajando em um trabalho de campo do cotuca e eu estou escrevendo porque quero adiar o momento de dormir.
é sempre assim. não quero que o tempo passe. chega fim de semana, nao quero que venha a segunda feira. e aí é uma porcaria, porque parece que eu estou avaliando a maneira como gasto cada minuto, o que frequentemente me rende mais infortúnios e preocupações que prazeres. se fico alguns minutos jogando dota (poisé, lembram do dota? voltei pra ele e nunca mais saí), depois penso como poderia ter melhor aproveitado este tempo; e se passo algum tempo equivalente fazendo outra coisa, matuto que poderia tê-lo dedicado ao dota.
gênio.
a verdade é que comecei a escrever por desencargo de consciência. pra não pegar poeira. pro google nao desativar o blog (isso nao acontece. né?). mas agora que comecei me fatiguei um bocado. tomei duas cervejas e nao estou alegre. vamos registrar o que importa:
1-) continuo casado. vida marital. há bibliografia.
2-) desisti do mestrado esse ano. mesmo que eu repita pras pessoas que não é nada, que era a melhor escolha, que eu nao tinha mais prazer nos meus estudos, a verdade é que eu nao sou mais um poeta. virei burgues. anote-se: nao li um único livro este ano. nao sei mais ler, assim como nao sei mais muita coisa que eu sabia. repito: sou um exímio burguês.
se eu nao escrever mais neste blog (uma hora a gente sempre volta), ou se eventualmente eu voltar em 5 anos e ainda estiver aburguesado, pançudo, com a pele gasta, opaco da alma, bem, se isso acontecer...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
anos passam
é, sempre é, uma longa história. não tenho tempo para contá-la. estou casado. todas as 15 últimas postagens são como porra nenhuma. estou no pc do trabalho mas não me digno a começar a trabalhar antes das 9. não consigo me lembrar de detalhes de muita coisa na minha vida. hoje estou feliz e vago. estou envelhecendo e não tem muito o que eu possa fazer.
quinta-feira, 31 de março de 2011
2 meses
mes vai, mes vem, férias passaram e eu estou com muito sono pra postar com detalhes o que aconteceu nesse entretempo. todavia vim aqui só pra registrar que meu afastamento d'A Big está progredindo de forma cada vez melhor - se é pra afastar, afaste mesmo, pela raiz, e seja firme, homem! - e devo mencionar que estou namorando (mesmo, namorando sério!) com minha colega de trabalho, a qual é ótima, me faz feliz e tranquilo em sua companhia e atura como pode meu humor inconstante, minhas piadas sem graça e meu descontrole emocional.
o negócio é que é um tanto contraditório e inconcebível "fazer esforço" pra esquecer algo. o esquecimento de qualquer coisa só se concretiza plenamente quando simplesmente não fizer mais nenhuma diferença na sua vida esquecê-lo.
sábado, 29 de janeiro de 2011
a dor de falzer alguem sofrer
é irremediável, por que a sua culpa nunca é maior que a tristeza da pessoa prejudicada. vc se sente genuinamente mal, mas nao pode solicitar piedade, por que voce é o único e exclusivo culpado. e sua pena em direção a parte menos favorecida parecerá, a ela, revoltante. não há nada que se possa fazer. é um sofrimento vergonhoso.
voce sentiu isso, big, quando acabou com a minha vida de então? tudo bem que o que eu fiz com a paquerinha foi em escala bem menor - creio eu -, mas pode causar danos tão fundos e tristes como os que voce me causou. e mesmo após eu ter me igualado a você, atuado, em outra circunstância, sob o papel que era seu, agora que eu tenho um vislumbre do que voce pode ter sentido, eu nao sinto pena de voce. nenhuma. e minha única esperança é que voce tenha carregado uma culpa infinitamente maior que a que me acomete agora, e que voce nao tenha sabido o que fazer com ela.
isso sou eu sendo sincero comigo mesmo, e sinceramente decepcionado com o que sinto. por que, no fim, eu nao tenho o direito de te odiar.
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