sexta-feira, 30 de novembro de 2007

narizes

lá estava eu, feliz, quieto, quando decidi, sabe deus por que, olhar pros narizes das pessoas.
e eles me pareceram as pretuberâncias mais feias da espécie humana; era inadmissível que as faces possuíssem aqueles morangos acoplados em seu centro. todas as pessoas ali perderam a beleza, cada um deles estava maculado por aspiradores ambulantes, com duas entradas negras, cheias de pelinhos (parecendo pernas de insetinhos, as narinas).
daí eu estendi a observação epifânica às orelhas. e a partir de então, posso jurar que a qualquer momento, na rua, alguem as fará vibrar freneticamente e sairá voando pelos céus.


to mudando de casa. me sinto melancólico. hoje descobri que eu vou sair da casa dos 19 anos, passando pro glorioso decênio dos 20. e que coisas preciosas vão virar passado.
não existe rewind. como é triste.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

ora vejam só

é legal como na minha cabeça eu simplesmente acho que perdi a maior oportunidade da minha vida deixando ela escapar pelos meus dedos. quando eu escuto badfinger, acho que teríamos dado muito certo e teríamos um final muito dramático num futuro muito distante, tudo com ela seria muito muito. mas quando a gente se esbarra nos corredores do iel, eu fujo morto de vergonha, mesmo que ela tenha me deixado claro que eu não devia estar constrangido. e não existe a menor possibilidade de aproximação amigável se meus olhos ficam transbordando de culpa. quando ela me chamou de bobão, fiquei me perguntando se ela estava insinuando que eu conduzi mal as coisas, que eu estava quase conseguido conquistá-la e estraguei tudo no final, que pisamos em esperanças recém-nascidas e saltitantes. ou talvez ela estivesse dizendo que eu não devia nem ter tentado, que esse não era o perfil dela, e que as coisas murcharam mesmo por iniciativa dela, que não queria laço nenhum. até hoje essa dúvida me persegue, e nenhuma das duas respostas me agrada, porque em uma delas eu sou burro, na outra sou rejeitado.
sei que quando passo pela árvore do gramadinho da rua de onde fomos expúlsos, algo dói fundo no meu coração.


e junta-se a isso minhas mais recentes crises de abstinência. a solução dos meus dois vícios tem que ser achada longe do consumo compulsivo deles. entenda-se: como não posso consumir o que eu quiser na hora que eu bem entender, tenho que aprender a lidar com a falta. ser feliz na abundância e na falta, e não viver em função deles. por causa dessa desolação da falta de agora, ora vejam só, não estou com a mínima vontade de tomar as 12 latinhas de cerveja que tenho logo ali na geladeira.

fico apostando alto num espúrio triple seven que não me levará a nada, certamente, e cujas probabilidades de sucesso são tão pequenas, que nem vale o custo inicial. na minha terra, diriam que eu não tenho taco pra bater essa aposta inicial, e essa é bem a verdade. meus malditos olhos são sinceros demais, vulgares demais pra alguém que se supõe um poeta.

como sempre, amanhã vai!


versinho meu, de muito tempo, não sei mais cadê, diz assim:
"quero ter a honra de não querer mais nada"

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

salvem seus pinguins

tem um par de versinhos meus que diz mais ou menos o seguinte:


"É árduo seguir confundindo lágrimas

com sangue, baba e uva"

quando eu os escrevi, eram bem ingênuos, até. mas se eu soubesse o peso que eles teriam hoje...
ê laiá, daí tem uma musiquinha do Europe que diz assim:

"You know it aint easy
When you dont know what you want
"

pronto, cabou minha tranquilidade.

eu acho que sou muito competitivo para ter amigos homens e muito libidinoso pra ter amigas mulheres. e muito tímido pra ser porra-louca. só que isso não transparece ao venerável público, ainda bem. e como só a carolina teima em ler meu blog mesmo (e ela tem juízo o suficiente pra não levar nada dessas coisas pra vida real), posso escrever isso, sim, e o que mais me der na veneta, que fica por aqui.

nesses últimos tempos, se eu desse ouvidos ao meu travesseiro, seria um homem arruinado. e olha que eu ponho o ouvido lá todo dia.

minhas ilhotas de paz me abandonaram junto com o cigarro que eu larguei. se eu viajar nesse feriado, vai ser difícil, difícil...

gotta knock a little (just a little little) harder