pós-modernidade: vem o papinho da arte metalinguística ao extremo, a arte que, não podendo nada mais expressar, fecha-se sobre o sistema transmissor. já tentaram me convencer de que o futuro da poesia são aqueles versinhos curtos sem métrica, conexão sintática ou mesmo coerência semântica. e que a pintura vai passar um tempão sendo fruto de pessoas presas a suspensórios gigantes, armadas de pincéis colossais, dando golpes furiosos contra uma tela de 3 x 5 metros, indo e vindo sorridentes naquele balançar esdrúxulo.
mallarmé falou que poesia é feita de palavras, e partindo dos culhões do poeta, muitos acadêmicos metidos vieram me comunicar que devemos imediatamente ignorar toda e qualquer possibilidade de sentido (conteúdo) de um poema. estou prestes a estudar um poeta chamado moacir amâncio, e fui atrás de alguma crítica escrita sobre ele. olha só o que eu encontrei:
( retirado daqui: http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=2316 )
"Aproximando o expressionismo abstrato da poética pós-moderna de Amâncio, no sentido da subtração do elemento triádico do signo, ou seja, da permanência do significante em detrimento do significado, notamos, no primeiro, um movimento de colocar a nu a ocorrência primeira, o primo ponto de contato entre a tela e a tinta, buscando a simplicidade, a ausência de fronteiras, essa cor que é, por si só. Já em M.A., este desnudamento sígnico perfaz-se ao longo de toda a sua obra."
tem muitas coisas boas nessa crítica (pra quem for ler toda), mas essa parte me deu arrepios. como assim, significante em detrimento do significado? que merda é essa? vamos agora escrever num papel a palavra "cavalo", ficar olhando pra ela com cara de idiotas e nos admirando com a existência da linguagem, com o "ca", o "va" e o "lo", com o movimento sobe-desce da língua, do toque palatar pra fazer o "L", etc etc? parece-me que é isso que é sugerido com essa imagem do "contato entre tela e tinta". isso dá numa meleca colorida, nada mais.
pra mim, pão é pão, queijo é queijo: significante é a casca, a coisa sonora ou escrita que carrega em si uma possibilidade de significados atribuídos pelas pessoas. mallarmé não dissociou palavra (mots! mots!) em significado e significante, e creio que é isso que meus queridos críticos pós-modernos andam fazendo.
vou expressar aqui o que entendo por poesia nesse dia 21 de fev de 2008: poesia é um conceito autônomo, impossível de ser parafraseado, feito com palavras. pressupõe um autor (ou mais de um) e um receptor-leitor, mesmo que autor e leitor coincidam no anonimato. vamos agora ver ponto por ponto dessa definição:
1-) poesia é um conceito autônomo: a poesia não é um objeto, pois não dá pra tocar num poema. impresso, você pode lê-lo. lido, você pode escutá-lo e concebê-lo. mas ele é na verdade um conjunto de palavras organizadas de certa forma. a leitura dele já não é ele, porque envolve tons de voz, pausas, etc etc, coisas que mudam de uma circunstância pra outra. pode-se perceber que isso exclui da minha definição todas as piruetas concretistas que usam cores e outras virtuoses na construção de seus poemas. o que é uma falha minha, pois em alguns casos eles obtém resultados muito interessantes. mas essa já é outra discussão.
2-) impossível de ser parafraseado: você, sabichão, não pode vir até mim e dizer: "ah, eu entendi esse poema, ele quer dizer isso e isso e isso também. lindo, né?". tá errado, tudo que você falou tá errado. o poema é ele mesmo: vale por si como transmissor. ele suscita em cada leitor uma impressão única, insubstituível. e cada interpretação é justa, se for sincera, inclusive a sua que eu falei que estava errada. o poema passou a significar, para você, aquilo que você me disse: foi a marca que ele deixou em você. daqui a dez anos pode ser outra marca. em mim vai ser outra. e o poema está lá. ele é a fonte, e tudo que que você disser que ele QUIS dizer é burrice sua, porque ele não QUIS dizer nada, ele É, nós é que entendemos um monte de coisa a partir dele. e aí é que tá a beleza da coisa toda.
3-) feito com palavras: acho que chega, né? nada de poemas semióticos do décio pignatari. nada de figurinhas nos poemas. em geral, nada de cores. P A L A V R A S. significado e significante. som, letras, fonemas e sentidos. sentidos múltiplos.
ufa! pra terminar, é o seguinte: odeio os cultistas da palavra pela palavra. a palavra tá morta, caramba! vivos estamos nós. nós fazemos poesia, de humanos para humanos. as palavras são meios. e sim, temos que ter preocupação formal em poemas (sou bem parnasiano, confesso), porque elas ajudam na criação de múltiplas possibilidades de expressão e captação. também creio que temos que ter um sentimento inicial, algo assim informe que precise ser informado (ahaha, trocadilho!). mas não podemos atribuir a esse sentimento a posse do poema. se eu li um poema sobre ódio e vi amor lá, então tem amor lá e tem amor em mim também. um professor meu diz que não lemos poemas, são os poemas que nos lêem. e eu estou quase de acordo. acho que são os poemas que nos ajudam a nós nos lermos a nós mesmos (será que eu repeti muito? é só pra você entender).
bjo bjo, vou cortar o cabelo,
léo
ps: não levem nada disso muito a sério; é só minha ideia do que é poesia. não é A verdade. e sim, eu quero saber a sua também.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
mirror mirror on the wall
já notaram que eu uso pseudônimos pra (não) identificar as garotas que cito aqui? de memória, tenho algumas: imperatriz sorridente, fada dourada, lilith, succubus, júlia...
é que não é pra ser sobre elas.
nunca foi sobre nenhuma delas.
é sobre mim, somente sobre mim, exclusivamente sobre mim. e para mim a ******* é mesmo uma imperatriz sorridente, a ******* é uma fada dourada, a ******* é a lilith, a ******* é uma succubus e a júlia é a júlia.
e eu sou todas elas juntas, mais um monte de coisa jogada num liquidificador e servido com gelo.
é que não é pra ser sobre elas.
nunca foi sobre nenhuma delas.
é sobre mim, somente sobre mim, exclusivamente sobre mim. e para mim a ******* é mesmo uma imperatriz sorridente, a ******* é uma fada dourada, a ******* é a lilith, a ******* é uma succubus e a júlia é a júlia.
e eu sou todas elas juntas, mais um monte de coisa jogada num liquidificador e servido com gelo.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
lilith
ela tá cansada e por isso não vai sair hoje. e o pior é que não é uma desculpa, é verdade.
então eu (já todo arrumado) boto músicas de vampiro no meu computador e fico pensando no pescoço dela, em quão maravilhoso deve ser violar aquela pele macia e palpitante.
não, eu não sou louco, apenas viajo nessas fantasias fetichentas que eu tenho. adoro pescoços, gosto de literatura vampírica e dos mitos erguidos em torno dessas figuras fascinantes. elas excitam minha imaginação, me arrebatam com sua personalidade estranha e noturna. afinal, como será que é afetada a personalidade de uma pessoa que de repente tem que chupar o sangue de outras para viver? que, por não poder sair de dia, põe uma pedra em cima da sua vida até então? e que ganha em troca a possibilidade de viver para sempre? isso é uma maldição ou a maior benção imaginável?
eu imagino traficantes que matam a torto e a direito por retornos bem menores, nada perto da vida eterna. há conflito de consciencia, culpa ou algo assim? ou eles se bestializam a ponto de menosprezar tanto a vida humana que matar se torna um prazer? e em que medida o mal deles (que me repulsa) se diferencia do mal dos vampiros (que me atrai como uma lâmpada atrai insetos)?
para vampiros, prazeres são coisas diferentes. de acordo com a literatura referente, o mito em torno dessas figuras prega que eles são refinados e mais sensíveis que nós. talvez porque muito deles sejam nascidos de séculos bem menos banais que o XXI. o sexo deles é intenso, a música deles é intensa, e o maior prazer de todos, o provocado pelo sangue (enorme, melhor que o orgasmo, melhor que qualquer droga, a mais inebriante das sensações), está ao alcance de suas mãos.
penso que os vampiros sejam figuras reservadas. é um dos motivos de eu gostar deles, pois mesmo tendo um grande poder, não saem estourando por aí. por mais prazeres que eles tenham, talvez pouco a pouco suas vontades se embotem com o tempo (um tempo longo, incomensuravelmente longo), e sobra a reclusão dos casmurros, suplantada por um porte nobre de sentido vazio. eu gosto de imaginar que só a presença deles já provoca um arrepio gelado, já que se compara à própria presença da contradição e do absurdo: a vida eterna pela morte, a tela branca de um pintor que tem em mãos a paleta de cores do windows.
legal a frase que eles usam: "não estamos vivos, estamos mortos. nossos corações não batem mais.". dizer que eles estão mortos é uma metáfora à condição moribunda de seus valores corrompidos, de sua possibilidade de serem humanos? ops, eles não são mais humanos.
chega de baboseira, vou sair.
e o máximo que vou fazer com o pescoço dela, se deus quiser, é dar uns beijinhos.
então eu (já todo arrumado) boto músicas de vampiro no meu computador e fico pensando no pescoço dela, em quão maravilhoso deve ser violar aquela pele macia e palpitante.
não, eu não sou louco, apenas viajo nessas fantasias fetichentas que eu tenho. adoro pescoços, gosto de literatura vampírica e dos mitos erguidos em torno dessas figuras fascinantes. elas excitam minha imaginação, me arrebatam com sua personalidade estranha e noturna. afinal, como será que é afetada a personalidade de uma pessoa que de repente tem que chupar o sangue de outras para viver? que, por não poder sair de dia, põe uma pedra em cima da sua vida até então? e que ganha em troca a possibilidade de viver para sempre? isso é uma maldição ou a maior benção imaginável?
eu imagino traficantes que matam a torto e a direito por retornos bem menores, nada perto da vida eterna. há conflito de consciencia, culpa ou algo assim? ou eles se bestializam a ponto de menosprezar tanto a vida humana que matar se torna um prazer? e em que medida o mal deles (que me repulsa) se diferencia do mal dos vampiros (que me atrai como uma lâmpada atrai insetos)?
para vampiros, prazeres são coisas diferentes. de acordo com a literatura referente, o mito em torno dessas figuras prega que eles são refinados e mais sensíveis que nós. talvez porque muito deles sejam nascidos de séculos bem menos banais que o XXI. o sexo deles é intenso, a música deles é intensa, e o maior prazer de todos, o provocado pelo sangue (enorme, melhor que o orgasmo, melhor que qualquer droga, a mais inebriante das sensações), está ao alcance de suas mãos.
penso que os vampiros sejam figuras reservadas. é um dos motivos de eu gostar deles, pois mesmo tendo um grande poder, não saem estourando por aí. por mais prazeres que eles tenham, talvez pouco a pouco suas vontades se embotem com o tempo (um tempo longo, incomensuravelmente longo), e sobra a reclusão dos casmurros, suplantada por um porte nobre de sentido vazio. eu gosto de imaginar que só a presença deles já provoca um arrepio gelado, já que se compara à própria presença da contradição e do absurdo: a vida eterna pela morte, a tela branca de um pintor que tem em mãos a paleta de cores do windows.
legal a frase que eles usam: "não estamos vivos, estamos mortos. nossos corações não batem mais.". dizer que eles estão mortos é uma metáfora à condição moribunda de seus valores corrompidos, de sua possibilidade de serem humanos? ops, eles não são mais humanos.
chega de baboseira, vou sair.
e o máximo que vou fazer com o pescoço dela, se deus quiser, é dar uns beijinhos.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
should I stay or should I go
paranranran panranranran (roc roc roc)
certo, vamos ao post. faz um tempão que eu não posto nada porque estou viajando pelo nordeste. é, isso mesmo, to pela primeira vez fazendo uma mega viagem por aí, com uma bolsa nas costas e um caderninho de anotações. e posso dizer, não é tão glorioso quanto parece. a questão é que esta viagem em específico não está muito propícia ao êxtase, e eu não estou tão propício ao êxtase também. mas obviamente que tive meus grandes momentos e cada cidade visitada valeu muito a pena. foi o que eu disse uma vez: o problema é que eu quero que tudo seja extraordinário o tempo todo, e isso é basicamente impossível.
meu roteiro foi: fortaleza - maceió - aracaju - salvador - recife
agora estou em recife decidindo se passo por natal ou se volto direto pra casa. de qualquer forma, me parece forçoso viajar hoje. já faz mais de uma semana que estou no mesmo local e isso é prejudicial à saude nas férias. prescrição médica, vocês hão de compreender.
por que eu quero ir pra natal?
óbvio que é para ir atrás da flávia. pra exorcizar o fantasma da flávia. até por que a flávia real não me interessa mais em nada. esses dias andei pensando como seria se nós, por algum motivo qualquer, ainda estivéssemos juntos. então percebi que certamente não teria ido para a unicamp, que viajaria para natal em todos os feriadões, que talvez ainda seria virgem (e se não fosse certamente ela seria minha única parceira, o que é desmotivador), que continuaria fazendo academia (local pelo qual sinto profundo desprezo e do qual me afasto por princípios), que escutaria Capital Inicial, que pescaria nos fins de semana com o pai dela, que assistiria filmes estúpidos de comédia romântica, enfim, que minha vida inteira seria dada em função dos caprichos dela. e que eu seria muito feliz, nojento mas feliz.
se eu for bater em natal, não vou na porta da casa dela, apesar de saber o endereço: não sou nenhum louco. e encontros casuais numa metrópole estão fora de questão, as probabilidades são mínimas. então que diabos eu vou fazer lá? talvez visitar o praia shopping, pra chorar um bocadinho. depois ir à praia, beber cerveja estatelado na areia. depois me arrumar e ir em qualquer barzinho idiota de noite, onde toque um bom jazz (pelo amor de deus!). e esperar que júlia em pessoa atravesse a porta e peça no balcão ao meu lado um bloody mary (um drink pelo qual tenho um mega fetiche).
isso simplesmente não vai acontecer. e ainda assim eu posso estar lá amanhã.
certo, vamos ao post. faz um tempão que eu não posto nada porque estou viajando pelo nordeste. é, isso mesmo, to pela primeira vez fazendo uma mega viagem por aí, com uma bolsa nas costas e um caderninho de anotações. e posso dizer, não é tão glorioso quanto parece. a questão é que esta viagem em específico não está muito propícia ao êxtase, e eu não estou tão propício ao êxtase também. mas obviamente que tive meus grandes momentos e cada cidade visitada valeu muito a pena. foi o que eu disse uma vez: o problema é que eu quero que tudo seja extraordinário o tempo todo, e isso é basicamente impossível.
meu roteiro foi: fortaleza - maceió - aracaju - salvador - recife
agora estou em recife decidindo se passo por natal ou se volto direto pra casa. de qualquer forma, me parece forçoso viajar hoje. já faz mais de uma semana que estou no mesmo local e isso é prejudicial à saude nas férias. prescrição médica, vocês hão de compreender.
por que eu quero ir pra natal?
óbvio que é para ir atrás da flávia. pra exorcizar o fantasma da flávia. até por que a flávia real não me interessa mais em nada. esses dias andei pensando como seria se nós, por algum motivo qualquer, ainda estivéssemos juntos. então percebi que certamente não teria ido para a unicamp, que viajaria para natal em todos os feriadões, que talvez ainda seria virgem (e se não fosse certamente ela seria minha única parceira, o que é desmotivador), que continuaria fazendo academia (local pelo qual sinto profundo desprezo e do qual me afasto por princípios), que escutaria Capital Inicial, que pescaria nos fins de semana com o pai dela, que assistiria filmes estúpidos de comédia romântica, enfim, que minha vida inteira seria dada em função dos caprichos dela. e que eu seria muito feliz, nojento mas feliz.
se eu for bater em natal, não vou na porta da casa dela, apesar de saber o endereço: não sou nenhum louco. e encontros casuais numa metrópole estão fora de questão, as probabilidades são mínimas. então que diabos eu vou fazer lá? talvez visitar o praia shopping, pra chorar um bocadinho. depois ir à praia, beber cerveja estatelado na areia. depois me arrumar e ir em qualquer barzinho idiota de noite, onde toque um bom jazz (pelo amor de deus!). e esperar que júlia em pessoa atravesse a porta e peça no balcão ao meu lado um bloody mary (um drink pelo qual tenho um mega fetiche).
isso simplesmente não vai acontecer. e ainda assim eu posso estar lá amanhã.
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