o negócio é que é um tanto contraditório e inconcebível "fazer esforço" pra esquecer algo. o esquecimento de qualquer coisa só se concretiza plenamente quando simplesmente não fizer mais nenhuma diferença na sua vida esquecê-lo.
quinta-feira, 31 de março de 2011
2 meses
mes vai, mes vem, férias passaram e eu estou com muito sono pra postar com detalhes o que aconteceu nesse entretempo. todavia vim aqui só pra registrar que meu afastamento d'A Big está progredindo de forma cada vez melhor - se é pra afastar, afaste mesmo, pela raiz, e seja firme, homem! - e devo mencionar que estou namorando (mesmo, namorando sério!) com minha colega de trabalho, a qual é ótima, me faz feliz e tranquilo em sua companhia e atura como pode meu humor inconstante, minhas piadas sem graça e meu descontrole emocional.
sábado, 29 de janeiro de 2011
a dor de falzer alguem sofrer
é irremediável, por que a sua culpa nunca é maior que a tristeza da pessoa prejudicada. vc se sente genuinamente mal, mas nao pode solicitar piedade, por que voce é o único e exclusivo culpado. e sua pena em direção a parte menos favorecida parecerá, a ela, revoltante. não há nada que se possa fazer. é um sofrimento vergonhoso.
voce sentiu isso, big, quando acabou com a minha vida de então? tudo bem que o que eu fiz com a paquerinha foi em escala bem menor - creio eu -, mas pode causar danos tão fundos e tristes como os que voce me causou. e mesmo após eu ter me igualado a você, atuado, em outra circunstância, sob o papel que era seu, agora que eu tenho um vislumbre do que voce pode ter sentido, eu nao sinto pena de voce. nenhuma. e minha única esperança é que voce tenha carregado uma culpa infinitamente maior que a que me acomete agora, e que voce nao tenha sabido o que fazer com ela.
isso sou eu sendo sincero comigo mesmo, e sinceramente decepcionado com o que sinto. por que, no fim, eu nao tenho o direito de te odiar.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
bar
ir ao bar com os companheiros é ótimo. mas sabe o que há de triste nisso? é que quando voce chega em casa, sua vida nao mudou.
domingo, 16 de janeiro de 2011
o que resta de opção
ok, partindo do princípio muito verídico e muito presente de que eu estou com sérios problemas inconfessáveis, há alguns caminhos que eu posso seguir, e deus me ajude em qualquer um deles:
1-) entrar na vida de maluquice sem precendentes, comer mal, beber todo dia, me drogar com o que cair nas minhas graças e trabalhar de ressaca, para que nada importe;
2-) parar de fumar, de beber, de comer porcaria, estabelecer meu regime nutricional de forma saudável e regular, e por fim mandar brasa nos exercícios fisícos, na esperança de voltar à performance saudável e feliz
3-) nao fazer nada - absolutamente nada -, me conformar com as coisas do jeito que são, fugir da convivência social e viver tranquilamente, sem vontades.
e ae? algum parece bom pra voce?
sábado, 8 de janeiro de 2011
terror
hoje eu assisti ao filme recomendado pela ruivinha dos correios, chamado "a vida secreta das abelhas", com a dulcíssima dakota fanning. aliás, estou baixando filmes freneticamente - bendita seja a comodidade oferecida pelo torrent - e a cada dia que passa me torno mais e mais uma pessoa normal, não-acadêmica. tenho preconceito com pessoas normais; como as pessoas simplesmente nao escutam música clássica, como passam anos sem ler um livro, como não conhecem obras básicas como o teto da capela sistina ou como as fotos de marlyn do andy warhol? eu nao exijo que todo mundo seja especialista em coisas eruditas, mas meu deus, a vida é uma só (em tese), e dura pouco se colocada defronte da quantidade de coisas boas que a arte produziu ao longo dos séculos, conheçamos ao menos o básico. nem dentro do cenário hipotético no qual nos dedicássemos somente a arte conseguiríamos consumir tudo o que foi produzido de qualidade. e não bastasse essa realidade avassaladora, a gente ainda insiste em assistir novela ou ouvir lady gaga (quando eu digo "a gente", refiro-me a uma idéia vaga e mal estabelecida da raça humana, a maioria estatística sem nenhum embasamento real senão o empírico do dia a dia). pois bem, eu, que me considerava secretamente melhor que os outros porque era minimamente letrado, estou somente vendo filminhos mainstream - justificando pra mim mesmo que eles possuem uma qualidade moderna -, ouvindo música não-erudita-pseudo-cult e começando diversos livros que não consigo terminar.
pois eu comecei falando justamente de um desses filmes mainstream. apesar da trilha sonora ser dispensável e da condução do roteiro ser previsível, o filme tem aquela ingenuidade de quem trata de assuntos tensos sem muita pretensão, e uma ou duas cenas que te deixam realmente envolvido. é um filme domingueiro aceitável, mas não notável o suficiente para ser digno de mais comentários. a questão não é essa. vejam bem, eu sou um cara contido, dificilmente me emociono com qualquer coisa, até porque sempre suspeito daquilo que tem antecipadamente a intenção de emocionar. todavia, na cena em que a dakota fanning desmaia ao tentar por a mão no peito da estátua de Maria, eu comecei a chorar copiosamente. tive que pausar o filme e fiquei uns 15 minutos deitado, chorando sem nenhuma continência. e agora, pensando sobre isso, eu creio que estou num estado de espírito tão frágil e desesperançado que qualquer estímulo exterior é uma choradeira em potencial. e eu não chorei porque a personagem estava passando por um drama interior complicado, nem porque o preconceito racial dos anos 60 dos estados unidos impregnava a temática do filme, mas por mim, exclusivamente por mim. me envergonhei do meu sofrimento diante da perspectiva de outros bem maiores, mas ainda assim fui covarde e chorei.
dessa experiência, acho que eu percebi uma coisa importante. é verdade que eu estou bastante tenso porque tenho a sensação de que a todo momento A Big pode estar com ele, e isso torna o que quer que eu esteja fazendo ridículo; estou decepcionado porque ela nao vem aqui nem me manda emails nem se digna a interagir de nenhuma forma, ainda que tenha alegado sentir minha falta. mas o principal, e eu senti isso claramente hoje, a razão pela qual eu estou amedrontado e deprimido, é porque eu acredito - medo, puro medo, mas como negá-lo? - que nunca mais ninguem vai me amar de novo, e que eu estou condenado a viver sozinho pro resto dos meus dias, carregando o fardo que só eu sei.
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