pois eu comecei falando justamente de um desses filmes mainstream. apesar da trilha sonora ser dispensável e da condução do roteiro ser previsível, o filme tem aquela ingenuidade de quem trata de assuntos tensos sem muita pretensão, e uma ou duas cenas que te deixam realmente envolvido. é um filme domingueiro aceitável, mas não notável o suficiente para ser digno de mais comentários. a questão não é essa. vejam bem, eu sou um cara contido, dificilmente me emociono com qualquer coisa, até porque sempre suspeito daquilo que tem antecipadamente a intenção de emocionar. todavia, na cena em que a dakota fanning desmaia ao tentar por a mão no peito da estátua de Maria, eu comecei a chorar copiosamente. tive que pausar o filme e fiquei uns 15 minutos deitado, chorando sem nenhuma continência. e agora, pensando sobre isso, eu creio que estou num estado de espírito tão frágil e desesperançado que qualquer estímulo exterior é uma choradeira em potencial. e eu não chorei porque a personagem estava passando por um drama interior complicado, nem porque o preconceito racial dos anos 60 dos estados unidos impregnava a temática do filme, mas por mim, exclusivamente por mim. me envergonhei do meu sofrimento diante da perspectiva de outros bem maiores, mas ainda assim fui covarde e chorei.
dessa experiência, acho que eu percebi uma coisa importante. é verdade que eu estou bastante tenso porque tenho a sensação de que a todo momento A Big pode estar com ele, e isso torna o que quer que eu esteja fazendo ridículo; estou decepcionado porque ela nao vem aqui nem me manda emails nem se digna a interagir de nenhuma forma, ainda que tenha alegado sentir minha falta. mas o principal, e eu senti isso claramente hoje, a razão pela qual eu estou amedrontado e deprimido, é porque eu acredito - medo, puro medo, mas como negá-lo? - que nunca mais ninguem vai me amar de novo, e que eu estou condenado a viver sozinho pro resto dos meus dias, carregando o fardo que só eu sei.
Nenhum comentário:
Postar um comentário