hoje saí sozinho; bebi, comi um pouco de queijo, ouvi jazz e ri de umas pessoas bobas. acho que na mesma circunstância que eu só havia um cara lá, todas as outras mesas estavam ocupadas ou por casais tristes ou por famílias deploráveis. quando eu fui pra lá com minha ex-namorada, não senti nada especial, mas hoje, olhando da mesa do lado, senti uma vergonha incrível de ter sido um daqueles casais. ainda assim, olhem só, gostaria de estar acompanhado. não por namoradas: essas são terríveis. apenas por namoradas em potencial (que, pelo amor de deus, nunca seriam minhas namoradas!). ou, obviamente, por júlia. com ela eu iria até o inferno.
sei que, durante o processo de purificação, pedi à garçonete mais bela uma caneta e um papel. ela me deu uma caneta, um guardanapo e um sorriso de piedade. não sei se saí no lucro, mas sei que com esses elementos cozinhei uma carta pra flávia. me certifiquei de que ela saiba disso, e espero sua resposta: se for minimamente amistosa, enviarei a carta-guardanapo. se não, bom, que fazer, vou continuar minha singela vidinha.
voltando ao passado de 3 dias atrás: festa do sinal, fui de amarelo e minha ex foi de verde. fiquei ilogicamente ofendido e triste, mas estou certo de que não fiquei atrás. por alguns dias estou livre de uma necessidade torpe, mas até quando? principalmente nas terças e quintas, com camilas secundárias e com fadas por todos os lados.
ressurection, once i thought i saw you on a crowded, hazy bar, dancing on a light, from star to star.
mas só impressão, você não estava lá mesmo. todavia, há presentes espalhados pelas carteiras, e talvez algo me seja confiado nessa improbabilidade nebulosa.
num post, eu disse que este blog não era lugar pra poemas. mas, vocês sabem, as coisas se "metamorfoseiam" bastante. e como não gosto mais do recanto, vou postar um poema aqui, sim senhor. afinal, sou niilista, dá licensa?
ah, sim, você, minha querida amiga esporádica, responsável por esse reavivar inesperado, deixe um comentário qualquer. o retorno do kailesh é sempre mais forte que o tiro.
beijos, senhoras e senhores, vivam e morram mais algum tempo,
léo
poema!
Resignação
À vista inebriante da luz, os insetos
com asas se lançam, seduzidos, à morte;
uns outros, desprovidos do alado suporte,
escalam as paredes e cruzam os tetos.
Justo fim tem a ganância desses ineptos,
que aos menores não competem certos esportes!
Não pode o fraco ter o destino do forte!
Nasce aquele impregnado de naturais vetos!
Também me puna o mundo por cobiçar ‘strelas,
que aos dedos dos deuses somente são possíves!
A perfeição restringe muito seus presentes...
Lançado à tirania dos pequenos níveis,
se perpetuo eu com o capricho de querê-las
logo, qual um inseto, ardo nas chamas quentes!
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