quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

mas a vida é uma caixinha de surpresas...

eu menti pra poder ir. ora, imaginei, se eu digo pros meus pais que vou na casa da minha queridíssima amiga sozinho, e que não vai ter ninguem lá, eles vão botar muito boneco. então, prevendo essa reação conservadora e maliciosa (sim, porque que mal tem um homem e uma mulher assistirem inocentemente a um filme?), resolvi dizer que haveria mais gente lá, uma penca de amigo imaginários.
massa. deixaram eu ir, parte um do plano bem sucedida. parte dois era convencê-los a deixar que eu dormisse lá. ora, muita gente dormindo junto = pessoas felizes. duas pessoas de sexo diferentes (quando se é hetero, vai saber) dormindo juntas = sexo. eu conheço meus pais. vão botar muuuuito boneco. então falei que todos iam dormir lá.
rapaz, a porca entortou o rabo. meu pai cismou que não, que não pode, que eu ligasse na hora de ir buscar, que isso não estava certo, que não prestava, etc etc. Fiquei meio besta, não é tão comum uma reação tão ferrenha do papai (ele tava bufando e nervoso); ainda tentei argumentar, mas não deu: eu tinha que ir embora e pronto.
acabou que eu e minha amiga tivemos uma noite bastante agradável a dois, mas com limite de tempo. as vezes eles acertam, que coisa, hein. mas o melhor vem agora

-- palavras do papai enquanto me levava de volta pra casa --

"filho, se vocês estivessem sozinhos, no bem bom, eu não tava nem aí. já tive sua idade e sei como é. por mim você dormia lá, só voltava depois de amanhã, enchia a cara, tudo bem. agora dormir você e mais um monte de gente, um povo que nem você conhece direito, amigo de amigo de amigo, ah, isso não. vai saber o que esse povo pode fazer de noite? vai que acontece um imprevisto, um mal-entendido, uma TRAGÉÉÉÉÉÉÉDIA? a gente nunca sabe, a vida é uma caixinha de surpresas (ele deve ter visto joseph climber, só pode), e é bem melhor previnir que....... (aí ele esperou que eu completasse a frase e acabou o monólogo)"


fiquei bem caladinho, de queixo caído. é, papai, a vida é uma caixinha de surpresas. próxima vez que eu for pra putaria (não era o caso, mas haverá), vou contar tudinho que pretendo fazer na noite para o senhor. e não é pouco não. e o senhor vai deixar.

aliás, essa de pai deixar ou não deixar é uma merda mesmo. não vejo a hora de ter minha linda renda e mandá-los às favas (nesse aspecto de autoridade, entenda-se, sem revoltas adolescentes, que são ridículas). ou de voltar pra minha bela cidade distante e mágica onde eu nem preciso mentir, só omitir.

2 comentários:

kami disse...

Adorei....e confesso que não pude conter os risos,mais a sua narrativa é formidável...dá quase pra imaginar a cara de papai falando em trágedia!rsrs
Quando for pra putaria não esquecer de postar como foi a conversa com seu pai pra que lhe desse permissão!Suponho que será incrivel!
Bjusssssssssss

kami disse...

Gostei muito do muito que li! E com certeza o seu blog eu recomendo!