sábado, 3 de fevereiro de 2007

Júlia

Eu estava lá, exausto e sozinho. Sentei-me na sarjeta; dezenas de pessoas passavam ao redor, e eu olhei para elas por algum tempo. Lembrei de um formigueiro no qual se jogou querosene. Chovia, e as pessoas se refugiavam nas áreas cobertas (e eu, na sarjeta). Duas garotas dançavam na chuva. Amei-as por um instante.

Sentia-me inquieto. Minhas mãos procuravam algo para bulir. Foram parar no joguinho do celular. Três partidas, não bati meu recorde, e ainda estava inquieto. Guardei o aparelho de volta no bolso, e quis explodir e matar a todos ali. Seria esteticamente belo morrer ali.

Até que tudo se resolveu como mágica. Um efeito agradável de uma droga maldita. Mas resolveu.

Aí que entra a Júlia.
Júlia não existe; é a mulher utópica que tenho na minha cabeça, a mulher ideal a partir da qual eu procuro as mulheres reais. Eu imaginei, naquele momento, Júlia do meu lado. Senti como se ela estivesse lá. Enquanto o efeito da droga não passou, Júlia esteve comigo. Foram momentos de deliciosa melancolia, uma espécie de masoquismo moderno que se alimenta não do sofrimento físico, mas da fossa moral. Mas não, Júlia não é uma droga. Foi apenas uma consequência inevitável.
então começei a pensar se, do nada, uma garota real sentasse do meu lado e começasse a filosofar, como Júlia faria. Acho que eu me entregaria a ela sem restrições. Ninguem chegou, todas as garotas eram barulhentas, andavam rápido. As duas que dançavam na chuva não deixaram rastros.


Levantei-me, liguei para meus amigos, encontrei-os em 10 minutos.
Fui procurar júlia em outro lugar. ela nunca estaria lá. ainda bem que eu não a manchei com as nódoas imundas do submundo e não gastei 50 reais.

a garota mais júlia que eu conheço não me amará até que eu seja o par perfeito para júlia. mas oh!, ainda sou um mero mortal, bobo, inseguro, instável.



ah, sim, houve uma discussão amigável com meu amigo sobre se 40 era igual a 80. Ele defendia que não, que 80 era 80, bem vividos, e que 40 era cedo demais. Eu argumentava que 40 e 80 eram, na prova dos 9, zero e infinito. E que, desta feita, ele poderia ser o 80, como ele queria, e me deixar ser o 40, como é. Eu não quero ser zero, mas nao tenho mais esperanças.

tenho um bocado de coisas ainda a escrever, mas não quero agora. fica pra próxima.









centomilla...

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